Bem, eu cá não conheço Corine Biria, para além de saber que é professora da Xu, mas sou a verdadeira cusca da internet, porque estou sempre à procura de algo "escrito" com que me identifique...
"When someone has a stomach ache that makes one to want to walk away from this world, it is usually not a coincidence. Blockages create tension on the nervous system that makes the whole outside world seem unbearable. One should let go these blockages. As the skin gives us the signal, the alarm, we should look into it and work on the release of it. Of course if one is in good health the jamming are less visible, but they exist, if there is none, there is no need to do Yoga. If one does Yoga it is because in some part of the body the energy is not circulating. There is our work, to find where the jamming is and to free it, to observe a harmonious movement inside ourselves to become a better human. Because Yoga is not a “thing” to keep us inside our own bubble, it is a work of introspection, which is so strong, and subtle, it permits the person to live in harmonies with the environment. It is said: love thy neighbour, forgive thy neighbour. I can say that, in this moment, one has a successful practice of Yoga and it has its usefulness on Earth."
(A dor de estômago que nunca é mal de estômago - um dia que me deixe de incomodar tão permanentemente é porque evolui um bocadinho)
http://www.iyengaryoga.be/en/magazine/n%C2%B01-32008/interview-corine-biria
sábado, 4 de abril de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Hm. Parece que o yoga é algo sobre o qual não vale muito a pena falar. Os sentimentos, as emoções e a mudança nao são óbvios nem de contornos muito definidos. Acho que tive uma certa altura da minha vida, em que queria era não sentir muito. É relativamente confortável, e menos cansativo. Queria apenas não ter que lidar com o mundo à minha volta, e fazer os esforços que me permitissem estar bem sozinha, e em relação a tudo o resto criar distância. E o yoga pareceu-me que ajudaria nisso. No início, talvez possa ser assim. É mais fácil praticar yoga como quem toma um remédio. E eu sempre senti que precisava muito de remédios. Mas um remédio só apaga os sintomas. E pelos vistos o yoga não. No início, quando comecei a praticar (aliás mesmo antes, quando comecei as aulas), senti isso, é algo que dá uma certa sensação de controlo quando tudo o resto parece incontrolável. Como se isso permitisse ganhar uma certa distância em relação ao que nos magoa e nos desagrada. Mas sei agora que a distância não é anestesia, e que o desapego não é o desinteresse ou a apatia. Ultimamente, sinto que muita coisa me incomoda, que muito me magoa e me custa, e apetece-me chorar e tenho pesadelos e pensamentos desagradáveis. Tenho uma ansiedade que sinto que me está a deixar exausta. Mas não foi o remédio que deixou de funcionar. O mundo é o que é, as pessoas estão à minha volta e existem, eu estou viva e tenho que viver, não estou numa bolha. Sinto o que sinto, não o posso apagar, por mais que queira. E não posso simplesmente esperar remédios, praticar não é um remédio, não é uma pastilha que demora um tempo definido a ser tomado e depois durante o resto do dia se esquece que se tomou, tenho é que tomar decisões e tenho que conscientemente fazer mudanças para lidar com tudo o que sinto. Suponho que a prática me possa ajudar a tomar decisões sensatas e a compreender melhor porque sinto o que sinto.. Eu sei que realmente não deve haver melhor que isso, é melhor que qualquer remédio, mas, sinto-me sempre com um pé à frente eoutro atrás. Sempre tive uma tendência para quase fazer de propósito para falhar nas coisas. Lá, está, é quase como se fosse mais fácil viver a vida a "remediar", por mais deprimente que possa ser. Querer mesmo algo, odiar mesmo algo, escolher mesmo, isso é difícil. É uma verdade que sinto que sempre soube, mas que sei que assusta. Sinto que mudo, mas não mudo. Só regresso a algo. E se isso acontece não é porque estou errada, por "sou" errada, por mais que o mundo à volta, ao longo da minha vida, me tenha feito sentir isso. Não tenho que negar nada em mim, só o que me faz sentir presa e fraca. Não sei o que será, o que vai acontecer, mas também ninguém me vai dizer. Se me sinto um caos, é porque se calhar me devo sentir um caos. Espero é que seja cada vez mais um caos consciente.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
oooowww. Estou cansada...
E um bocadinho estranha.. Ultimamente parece-me que o meu corpo anda num num tumulto ou numa mudança qualquer, e noto isso na prática. Parece que trabalho com ferramenta nova. Não sei bem de quem são as pernas que deviam esticar, e depois sinto que me perco. Não sei se sinto mais ou menos, sei é que não é familiar. E não é só na prática. Às vezes ponho por acaso a mão numa qualquer parte do meu corpo... e está diferente. Mesmo só a passar a mão pela pele, parece diferente. E tem necessidades diferentes. Eu sei que é uma coisa natural, ao longo da vida o nosso corpo e a nossa pele e o nosso cabelo vão-se transformando, mas mesmo assim... agora sinto muito, porque parece que o meu interior está a mudar com ele (ou o contrário? não sei, está tudo uma confusão). Parece que tudo se cola e se influencia, o corpo, a cabeça, a prática, e as outras coisas na vida, está tudo assim uma mancha.
c-o-n-f-u-s-a-o.
:D
Bem, descobri finalmente o que é pôr o peso na parte interna dos antebraços (ou não é nada assim?) em sirsasana. E os meus cotovelos que se afastavam depois de subir, e as mãos que abriam, e os pulsos que não faziam força nenhuma... oh pois se puser o peso no bordo interior isso não acontece. Só que a base parece que fica mais estreita, e depois tenho menos equilíbrio e cansa mais porque obriga-me mesmo a ter os ombros sempre subidos. Oh. Fora isso, deve estar uma vergonha. Eheh. Acho que também sinto mais ou menos o que é "subir as pernas para longe do tronco" em halasana. Cheira-me que há um ror de coisas que me disseram 500 vezes nas aulas mas que não ficaram muito bem interiorizadas. lol
Já não me lembro de fazer savasana. Quero dizer, deito-me e fico deitada 5 minutos. Mas não tem nada a ver com savasana, fico sempre a pensar em qualquer coisa! Sempre!
E um bocadinho estranha.. Ultimamente parece-me que o meu corpo anda num num tumulto ou numa mudança qualquer, e noto isso na prática. Parece que trabalho com ferramenta nova. Não sei bem de quem são as pernas que deviam esticar, e depois sinto que me perco. Não sei se sinto mais ou menos, sei é que não é familiar. E não é só na prática. Às vezes ponho por acaso a mão numa qualquer parte do meu corpo... e está diferente. Mesmo só a passar a mão pela pele, parece diferente. E tem necessidades diferentes. Eu sei que é uma coisa natural, ao longo da vida o nosso corpo e a nossa pele e o nosso cabelo vão-se transformando, mas mesmo assim... agora sinto muito, porque parece que o meu interior está a mudar com ele (ou o contrário? não sei, está tudo uma confusão). Parece que tudo se cola e se influencia, o corpo, a cabeça, a prática, e as outras coisas na vida, está tudo assim uma mancha.
c-o-n-f-u-s-a-o.
:D
Bem, descobri finalmente o que é pôr o peso na parte interna dos antebraços (ou não é nada assim?) em sirsasana. E os meus cotovelos que se afastavam depois de subir, e as mãos que abriam, e os pulsos que não faziam força nenhuma... oh pois se puser o peso no bordo interior isso não acontece. Só que a base parece que fica mais estreita, e depois tenho menos equilíbrio e cansa mais porque obriga-me mesmo a ter os ombros sempre subidos. Oh. Fora isso, deve estar uma vergonha. Eheh. Acho que também sinto mais ou menos o que é "subir as pernas para longe do tronco" em halasana. Cheira-me que há um ror de coisas que me disseram 500 vezes nas aulas mas que não ficaram muito bem interiorizadas. lol
Já não me lembro de fazer savasana. Quero dizer, deito-me e fico deitada 5 minutos. Mas não tem nada a ver com savasana, fico sempre a pensar em qualquer coisa! Sempre!
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Ui, há tanto tempo que não escrevo nada! Acho que é porque ultimamente ando numa fase esquisita: tanto estou com mil ideias na cabeça, como estou quase em exaustão, e por isso não consigo estruturar nada. A minha prática anda também diferente, um bocado dessa mesma forma. Em termos de quantidade, está mais ou menos na mesma, não consigo aumentar. Em geral, fisicamente na maioria das posturas sinto-me mais flexível. Mas também há outras em que sinto que tenho que fazer mais esforço, como se não tivesse tanta força (por exemplo, sirsasana). Mentalmente, lá está, estou cheia de ondulações!!! Há dias em que estou muito distraída... sinto muito isso principalmente em posturas de equilíbrio. Noutras posturas, acho que o facto de fisicamente não me custarem tanto faz com que me distráia mais facilmente (por exemplo, não me custa tanto fisicamente torcer-me em parivrtta trikonasana, mas perco facilmente o equilíbrio... ou então quando dou por mim estive 5m em sarvangasa com a cabeça a pensar noutra coisa qualquer), mas noutras, acho que estar fisicamente mais confortavel permite sentir coisas que não sentia antes.
Sabendo que pode parecer paradoxal, já se sabe que tenho uma paixão se calhar demasiado grande para ser saudável por nadar, mas às vezes noto que há coisas que retiro disso que depois me ajudam na prática de yoga. Por exemplo, eu já sei desde ha algum tempo que nas posturas temos que aprender a relaxar algumas partes do corpo sem perder energia nalguns pontos (talvez o esteja a dizer de forma demasiado brejeira...), mas claro que durante a prática não pensava muito nisso, talvez porque muitas vezes estou concentrada em puxar aqui, rodar ali, fazer força acolá... mas às vezes quando dou indicações nas aulas de natação, digo a alguém "ora estique bem os braços" e elas esticam, e esticam também as mãos. E depois digo, "mantenha os braços esticados... e agora relaxe as mãos" Ui, é uma complicação. Ou não conseguem mesmo relaxar as mãos, ou então relaxam-nas mas também deixam os braços morrer e dobrar... Ora é engraçado que para mim não é nada complicado, é quase intuitivo, só que não sei porquê. E hoje estava em Adho Mukha (com as mãos contra o rodapé) e normalmente eu penso muito em rodar a parte de cima dos braços para fora e descer os ombros... e estava a pensar nisso e de repente senti que estava a fazer muita força no pescoço, a puxa-lo em direcção ao chão... então deixei-o cair, como se estivesse pendurado entre os braços, pareceu-me que instantaneamente os meus ombros desceram e os trapézios relaxaram, sem eu ter que fazer a força do costume para isso.
Ui... queimei.
Sabendo que pode parecer paradoxal, já se sabe que tenho uma paixão se calhar demasiado grande para ser saudável por nadar, mas às vezes noto que há coisas que retiro disso que depois me ajudam na prática de yoga. Por exemplo, eu já sei desde ha algum tempo que nas posturas temos que aprender a relaxar algumas partes do corpo sem perder energia nalguns pontos (talvez o esteja a dizer de forma demasiado brejeira...), mas claro que durante a prática não pensava muito nisso, talvez porque muitas vezes estou concentrada em puxar aqui, rodar ali, fazer força acolá... mas às vezes quando dou indicações nas aulas de natação, digo a alguém "ora estique bem os braços" e elas esticam, e esticam também as mãos. E depois digo, "mantenha os braços esticados... e agora relaxe as mãos" Ui, é uma complicação. Ou não conseguem mesmo relaxar as mãos, ou então relaxam-nas mas também deixam os braços morrer e dobrar... Ora é engraçado que para mim não é nada complicado, é quase intuitivo, só que não sei porquê. E hoje estava em Adho Mukha (com as mãos contra o rodapé) e normalmente eu penso muito em rodar a parte de cima dos braços para fora e descer os ombros... e estava a pensar nisso e de repente senti que estava a fazer muita força no pescoço, a puxa-lo em direcção ao chão... então deixei-o cair, como se estivesse pendurado entre os braços, pareceu-me que instantaneamente os meus ombros desceram e os trapézios relaxaram, sem eu ter que fazer a força do costume para isso.
Ui... queimei.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Bem, porque a Leonor esteve a explicar "el estrecho sandero que és el yoga"... li uns versos no "Bhagavad Gita" que se referiam ao caminho...
Bem, as traduções são um bocadinho diferentes... Este é o verso 40 do segundo capítulo
Do livro que eu tenho (tradução de Juan Mascaró):
"No step is lost on this path, and no dangers are found. And even a little progress is freedom from fear."
Uma tradução que encontrei na Internet (foi esta que me chamou a atenção, não sei porquê):
"No effort on the yoga path is ever lost, nor can any obstacle hold one back forever. Just a little progress can protect one from the greatest fear."
E a que vem nas folhas da formação (só para ver se me habituo, odeio espanhol urgh):
"En esta senda, ningún esfuerzo se pierde nunca, y ningún obstáculo puede detener; ya un poco de este deber (dharma), libera de un gran temor."
Ora, sei lá se sei mesmo o que quer dizer. Mas gosto.
Bem, as traduções são um bocadinho diferentes... Este é o verso 40 do segundo capítulo
Do livro que eu tenho (tradução de Juan Mascaró):
"No step is lost on this path, and no dangers are found. And even a little progress is freedom from fear."
Uma tradução que encontrei na Internet (foi esta que me chamou a atenção, não sei porquê):
"No effort on the yoga path is ever lost, nor can any obstacle hold one back forever. Just a little progress can protect one from the greatest fear."
E a que vem nas folhas da formação (só para ver se me habituo, odeio espanhol urgh):
"En esta senda, ningún esfuerzo se pierde nunca, y ningún obstáculo puede detener; ya un poco de este deber (dharma), libera de un gran temor."
Ora, sei lá se sei mesmo o que quer dizer. Mas gosto.
Não tenho praticado, tenho-me sentido doentinha... nada de especial, mas se pudesse tinha estado estes últimos dias sem fazer nada, o que não é coisa que costume desejar. Ontem levantei-me, pratiquei meia hora e tive que voltar para a cama... foi um bocado estúpido :D
Coisa ainda mais estúpida foi na Terça, levantei-me e sentia-me esquisita, e juro, parecia que estava deprimida! Pratiquei a sentir-me assim... e depois de tarde doía-me a garganta e os músculos das pernas.... e na Quarta acordei ainda com mais dores de garganta, ouvidos tapados, e dores de cabeça. Digo que é estúpido porque me acontece muitas vezes - parece que sempre que começo a ficar ligeiramente doente, a minha primeira sensação é como se estivesse deprimida, nunca penso logo "ooops posso estar a ficar com uma constipação". Parece que me faz lembrar que com uma depressão se fica quase fisicamente doente.
Dei outra vez grande volta, mas enfim, só lê quem quer :D
Coisa ainda mais estúpida foi na Terça, levantei-me e sentia-me esquisita, e juro, parecia que estava deprimida! Pratiquei a sentir-me assim... e depois de tarde doía-me a garganta e os músculos das pernas.... e na Quarta acordei ainda com mais dores de garganta, ouvidos tapados, e dores de cabeça. Digo que é estúpido porque me acontece muitas vezes - parece que sempre que começo a ficar ligeiramente doente, a minha primeira sensação é como se estivesse deprimida, nunca penso logo "ooops posso estar a ficar com uma constipação". Parece que me faz lembrar que com uma depressão se fica quase fisicamente doente.
Dei outra vez grande volta, mas enfim, só lê quem quer :D
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